Grátis custa caro
Maldita invenção de Nizan Guanaes, Aleksandar Mandic e Matinas Suzuki quando fundaram o iG, com a idéia de dar internet discada grátis para todos. Lembro-me bem, janeiro de dois mil, o grupo inicia suas atividades de forma gritante, um cachorrinho branco se torna celebridade instantânea e cativa a todos.
O iG não foi o primeiro a ter essa idéia de internet grátis, mas certamente foi o primeiro a abalar o mercado. Em uma época onde a banda larga só estava engatinhando, o iG atingiu de forma meteórica, grande popularidade.
Os usuários davam saltos de alegria, por outro lado, os diretores dos provedores concorrentes, enchiam a cara em bares de esquina e pensavam se deveriam pular janela abaixo.
Contra atacaram, denunciaram concorrência desleal, quando não conseguiram vencer, juntaram-se a ele. O UOL lançou o NetGratuita, a StarMedia lançou o Gratis1 e todos que fizeram o mesmo, quebraram.
Em pouco tempo a crise estava lançada, a aposta de retorno rápido com publicidade em seu portal, foi como um submarino por agua abaixo, apesar de continuar demonstrando força, como a compra do super11.net e o lançamento de novos produtos em seu portal, iniciaram manobras para sair do vermelho. Diversos funcionários demitidos e vários planos adiados ou modificados.
Estava provado que o modelo de internet grátis era impossível de se sustentar, alteraram então o plano de negócios e correram atrás da rentabilidade e o tempo perdido, alterando seu nome de Internet Grátis, para Internet Group.
Na última eleição para prefeitura de São Paulo, em 2008, um dos candidatos disse que iria colocar internet grátis para toda população. No embalo, a Infraero anunciou que colocaria internet grátis em todos os aeroportos.
Como diz o velho ditado, “Grátis! Até injeção na testa”. Quem não quer algo grátis? Nós todos temos plano de saúde grátis, segurança e educação grátis, e funcionam bem, não é? Além disso eu gostaria muito de ter internet grátis na minha casa, telefone celular grátis, e quem sabe também, massagem grátis quando eu chegar cansado do trabalho.
Como se não faltassem coisas para melhorar na cidade de São Paulo, lançam um projeto que custará milhares de reais para implantar e mais milhares de reais por mês para manter. Se vocês gostaram do projeto, então quer dizer que concordam que internet grátis vem primeiro do que, moradia, saúde, segurança, transporte e saneamento?
Em meio a uma crise aeroportuária onde tivemos que relaxar e gozar por diversas vezes, recém passado por um dos piores acidentes do mundo, onde não saiu um sobrevivente e mais de duzentas pessoas morreram, entra em prioridade máxima, o que? Internet grátis! Onde o governo investirá os mesmos milhares de reais para implantar e mais milhares de reais para manter. E pela felicidade de todos, também acredito que vocês concordam com isso, não é?
Se é para dar internet grátis, dê para quem precisa, até hoje tento entender onde o Brasil crescerá dando internet para executivos que já têm computador e internet banda larga no celular, em casa e no escritório.
Além disso, se a internet é grátis, a demanda será infinita, e eu que pagarei com meus impostos o link internet milionário para suprir a demanda dos usuários? Ou nós teremos um imposto chamado internet grátis, ou a qualidade será tão ruim que será impossível de utilizar, assim como nosso plano de saúde e educação grátis.
Eu quero internet grátis para diminuir o rombo digital, educacional e cultural que existe no Brasil. Quero ver projetos que sejam conscientes, pensados, e não mais uma forma de políticos ganharem espaço na mídia.
O que fizeram foi absurdo, irreal, receberemos caviar, mas o que precisamos mesmo é arroz e feijão. Distraíram-nos por um minuto para esquecermos que tudo que o Brasileiro tem direito em sua vida, não funciona, ou que ainda estamos em uma crise aeroportuária.
E eu digo com pesar, funcionou, vocês caíram direitinho!
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