Marcelo Toledo

startups, empreendedorismo e tecnologia

Sua empresa não sai porque você é preguiçoso!

Semanas atrás um amigo me chamou para um bate papo, estava interessado em abrir uma nova empresa e gostaria de expor suas ideias, ouvir criticas e sugestões.

Ele começou me mostrando um domínio e me perguntou o que eu achava. Respondi que o domínio era legal, mas era só um domínio, eu queria saber sobre o negócio. O que você vai fazer?

Então ele me contou tudo nos detalhes, internet, software e conteúdo.

Então ele me perguntou o que eu achei da ideia… eu respondi:

Podemos sentar agora em um bar, com uma caneta na mão, rabiscando uma porção de guarnapos e em uma hora teremos uma tonelada de ideias interessantes e promissoras.

Uma ideia vale muito pouco, ou quase nada. Para o desenvolvimento de um negócio, os passos que devem ser executados após a ideia são tão grandes e importantes, que fazem a complexidade de uma ideia se tornar ridícula.

De acordo com o dicionário a palavra ideia significa:

Representação mental de algo concreto, abstrato ou quimérico

Para gerar valor é necessário materializar essa ideia, transformar algo que era somente uma representação mental abstrata, em algo concreto.

O ponto mais importante é fazer o que você verdadeiramente ama. Não importa o que seja, desde coleção de selos até construção de Origamis. Todo e qualquer negócio tem espaço no mercado.

Obviamente o resultado que você pode alcançar será definido pelo tamanho de cada mercado. Mas não se limite achando que você não pode ganhar dinheiro só porque você gosta de algo que não é popular.

As limitações estão na sua cabeça e eu te garanto que você consegue ganhar dinheiro se você fizer o que ama.

Torne-se a maior autoridade no assunto. Leia todos os livros, jornais, revistas e blogs. Conheça e torne-se amigos dos melhores do mundo no tema. Esteja presente em todos os eventos, grupos, sites e forums.

Seja humilde. Seja sociável. Seja honesto. Produza conteúdos originais e utilize a internet, que te abriu as portas para o mundo. O Facebook, YouTube e o Twitter são somente algumas ferramentas que te auxiliarão a alcançar milhares de pessoas.

Não será fácil, você terá que trabalhar o dobro do que já trabalha, por alguns anos, antes de ter qualquer resultado expressivo. Mas a recompensa virá, e quando você fizer o que gosta, deixará de ser trabalho.

Então ele disse que iria criar um business plan…

Não crie. Te recomendo fortemente a não pensar em business plan. Não agora. Se é possível monetizar qualquer negócio e você vai fazer o que ama, você não precisa se preocupar com isso agora.

O seu foco pelos próximos meses deve ser na materialização do produto. Faça um bom projeto, rabisque muitos papeis formatando e refinando a sua ideia. Torne os recursos simples e atrativos, corte os excessos de funcionalidades e mão na massa. Faça acontecer!

Conforme o produto for se desenvolvendo, sua bagagem sobre o mercado, sua visão sobre as vertentes e possibilidades de monetização vão ampliar muitas vezes. É possível até que muitas das suas ideias originais sejam substituídas pelas novas.

Teste o seu produto antes de lançar ao publico. Convide seus amigos mais próximos a conhece-lo. Faça almoços e reuniões individuais com seus amigos e explique seu produto a cada um deles, sua habilidade de entender e explicar melhorará muito.

Escute e anote todas as sugestões. De feedback e mostre-se agradecido, mas não acate todas. Quem tem por objetivo agradar a todos, acaba agradando ninguém. Confie nos seus instintos, ninguém conhece o seu produto melhor do que você.

Ele disse que pensaria em um nome e então colocaria a mão na massa…

Eu novamente disse, não pense. Agora escolha qualquer um, de verdade. Gaste cinco minutos com o primeiro nome. É bom ter uma identidade para você trabalhar, falar, mencionar, mas não será exatamente um nome e sim um apelido temporário. Você terá meses para pensar em um. Não torne isso um martírio ou uma dependência para seu projeto andar. Lá na frente, quando seu produto estiver praticamente pronto, certamente você já terá um nome, que foi pensado durante meses, sem pressa ou pressão.

Conheci muitas pessoas que tiveram ideias brilhantes e montaram business plans belíssimos, centenas eu diria. Quase todos não saíram do papel. As que deram verdadeiramente certo e hoje colhem milhares de reais como fruto, são as pessoas que focaram no produto e só depois se preocuparam com a teoria. A teoria é fácil! Difícil é o meio do caminho, trabalhar quatorze horas por dia durante dois anos.

A grande verdade é que as pessoas são preguiçosas! Poucas pessoas tem coragem de fazer o esforço necessário. Minha sugestão para 2010: Materialize.

  • http://raelmaxi.wordpress.com/ Rael Max

    Parabéns, belo post! Eu tinha um link de uma tradução que falava sobre alguns conceitos na hora de se criar uma aplicação para a internet. E a base dos conceitos era mais ou menos a mostrada por você, materialize!

  • bobwollheim

    É isso mesmo.

    Uma vez – na verdade muitas – as pessoas veem até mim dizendo: no Brasil é complicado fechar empresa, né?…… Aí fico pensando com meus botões: “esse nunca vai abrir empresa, tá pensando em fechar (não é otimista suficiente) e tá pensando que isso vai dar trabalho (acho que empreender é vida mansa?)…. é como vc diz: a pessoa não monta empresa por preguiça!

    Abraço e um super 2010!

  • marcosrezende

    Marcelo,

    Certa vez eu percebi que a maioria dos quase-empreendedores se satisfazem com a idéia de estarem montando uma empresa. E esta satisfação os leva a investirem uma enorme quantidade de tempo “arrumando a casinha” ao invés de botar a mão na massa. Por isso, concretizar algo é mais valorizado do que ter uma ótima idéia.

    Quem é quase-empreendedor tem que entender que é preciso fazer montar qualquer negócio o mais simples possível para quebrar a cara com um risco de mesmo tamanho. Quebrar a cara faz parte do jogo e é melhor você investir em um curso online de origamis do que em uma megalomaníaca idéia de dominar o mundo, ficar multimilionário e pendurar as chuteiras.

    Isso é ilusão, da mesma forma que acreditar que alguma coisa vai mudar de 2009 para 2010 ou que o mundo vai acabar em 2012. Ilusão, quanto mais nos apegamos a ela, mais afastados ficamos daquilo que nos fará realmente livres.

    Forte abraço, ótimo post.
    Marcos Rezende

  • http://www.saiadolugar.com.br Millor Machado

    Marcelo,
    Ótimo post! Eu que nem tenho tanto tempo como empreendedor já ouvi muitas vezes esse discurso de colocar a ideia em um pedestal. O pior de tudo é quando além de pedir pra ouvir a ideia, o cara me diz que não pode falar sobre a ideia pois é algo muito valioso e não pode ser compartilhado.

    Inclusive em uma conversa com o Marcos Rezende do Insistimento, surgi com uma frase que me inspirou um post: Ideias servem apenas para orientar atitudes.

    Parabéns pelo post e pelo blog em si, acabou de ganhar um leitor do seu RSS.

    Abraços!

  • http://twitter.com/fboldo Filipe Boldo

    Olá Marcelo,

    Muito bom! Escrevi no meu blog dois post há um tempo atrás bem relacionados com esse aqui. Um é “Não existem ideias milionárias” e o outro “Exercíto, Empreendedorismo e o que eu aprendi”.

    Ideias são simples multiplicadoras da execução do empreendedor. Encarar uma jornada exaustiva e ficar feliz por isso é o primeiro sinal de que está no caminho certo.

    Assim como o Millor Machado, com quem já tive o prazer de troquei algumas palavras, ganhou um novo leitor ;)

    Abraços,
    Filipe Boldo
    http://www.blogdoboldo.com

  • giorgioduarte

    Marcelo, a preguiça existe mesmo, e muito!

    Acredito que a educação também influencia muito (Pai rico pai pobre) e a medida que o tempo passa, a cultura do detalhe vai apriosionando a cabeça das pessoas.

    Falo “detalhe” porque nao so no caso de empreender, mas muitos se preocupam mais com a marca do terno do que a forma de se obter aquele terno.

    Todo mundo busca o caminho mais fácil sempre, dai se perdem por não saberem improvisar e resolver problemas.

    Parabéns pelo post!

  • http://twitter.com/torricelly Thiago Torricelly

    Ótimo post! Falou tudo! Abaixo à preguiça!!
    Acredito que uma empresa ou produto podem surgir de dois modos:
    1 – Pela necessidade de um mercado (Pull) onde o produto será bem aceito devido a demanda favorável. Então a idéia de criação do produto surge apartir da necessidade detectada.
    2 – Invenção de um novo produto (Push) e “empurrá-lo”,”levá-lo” ao mercado, pode ser um produto novo que irá abrir novos mercados que nem existiam, ou mesmo um produto em um mercado saturado, com algum diferencial que pode fazer sucesso.

    Seja por necessidade(Pull) ou invenção(Push), a meu ver, um dos primeiros passos, é criar um Protótipo de seu produto/serviço.
    Eu costumo ir modelando o Business Plan ao mesmo tempo que o protótipo vai sendo construido. Se não conseguir um bom nome de inicio, até o final do projeto agente encontra um, mas nome é tão importante quanto o produto.
    Teve um brasileiro que teve problemas, criou um software com as iniciais de seu nome FCK.. depois teve que alterar o nome do produto, porque em inglês FCK é um palavrão hehe.

    Conheço grandes cases que começaram pelo protótipo, sem muita importância na empresa, e depois se tornaram “a menina dos olhos”, verdadeiras Killing Applications. O próprio google é uma fábrica de protótipos, o Gmail nasceu apartir de um, onde o seu criador era discriminado no inicio pelos colegas. Também há casos que o protótipo começou para uma finalidade, e acabou sendo usado para outra totalmente diferente, o importante é NÃO FICAR PARADO!

    Quando se tem uma nova idéia, é bom ficar pensando nela pelo menos 1 mês, se ela não sair da cabeça, é porque é boa, e merece um protótipo, então comece já!

  • Pingback: Quais negócios eu montei para empreender melhor hoje | Insistimento

  • http://www.newaccount.com.br/ Fabio

    Ótimo post mesmo. Tive essa experiência em minha empresa. Dois de meus sócios eram adeptos do famoso “ócio criativo”. Cheios de idéias porém quando tinham que por a mão na massa….

  • http://www.bakertillifms.com/ Diego Bertolin

    Excelente comentario.

    Só quería comentar que eu nao eliminaria totalmente o BP da fase inicial do negócio. Ao menos nao todas. Acho que tem 2 elementos que valem a pena explorar antes do negocio:

    1) Idéia sobre o mercado: Pegar alguns números para ver se é quente. Buscar sites similares para se inspirar e etc-
    2) Idéia sobre a viabilidade financeira: Pegar alguns números de mercado e fazer algumas contas de portugues para ver se faz sentido.

    Essas 2 coisas podem eliminar mt tempo desperdiçado (ao menos que seja pelo prazer de desenvolver =D).

    Como faço mestrado aqui na espanha, tenho que incluir algo acadêmico…

    Penrose, 1959 dizia:
    «Con frecuencia se concede un lugar preferente entre los factores que impiden la expansión de las empresas pequeñas a las dificultades de obtener capital; pero eso es sólo cierto en un sentido muy limitado. Las empresas nuevas, pequeñas y desconocidas no encuentran las mismas facilidades para aumentar el capital que las grandes ya establecidas y de sólida reputación. Esto es indiscutible. Sin embargo, muchas empresas pequeñas que no tienen recursos financieros iniciales adecuados, prosperan, aumentan su capital y crecen hasta convertirse en grandes empresas. Y lo realizan, en gran parte, merced a una especial habilidad del empresario. Hay muchos ejemplos que atestiguan el ingenio desplegado por hombres de negocios de gran talla para obtener los fondos que precisaban; solamente en caso de que esta especial habilidad empresarial falte, se puede afirmar con certeza que la empresa no podrá conseguir los fondos necesarios» (p. 37-38)».

    É isso ae! Abracos!

  • http://twitter.com/mtavano Marcelo Tavano

    Great! “Talk doesn’t cook rice.” – Chinese Proverb

  • Pingback: Começar é mais importante do que pensar

  • Rosa

    Ola, Marcelo. Interessante falar sobre preguiça. Por que será q o sujeito é preguiçoso?! Na verdade o que há por detrás da preguiça? Geralmente é um grande boicote que a pessoa faz consigo mesma ou quer afetar outras, tudo acaba tento uma intencionalidade. Claro que vivemos numa cultura do ter fácil, de menosprezar o trabalho, o esforço, a dedicação. Queremos ter tudo e do bom, porém , sem muito esforço pessoal. O jeitinho brasileiro é muito isso. Infelizmente, há razões culturais e razões psicológicas. Outra cultura importante no Brasil, a cultura da baixo auto-estima, da menos valia, onde não acreditamos em nossos potenciais, vivemos na cultura do coitadismo. Não acreditamos em nós, não conhecemos nossos potenciais, não temos a menor idéia do que queremos para a vida. Isso tudo gera desânimo e a famigerada preguiça, que é uma doença da alma. Reverter essa situação seria uma injeção de auto-estima, de reconhecimento de potenciais, de saber realmente o que se quer e o que se ama para ter uma postura mais pro-ativa, mais realizadora. Realmente somos um povo muito preguiçoso e temos que mudar essa cultura.

  • Vinicius

    Otimo artigo.Realmente as pessoas tem dificuldade em materializar seus projetos. Embora muitas vezes o projeto se transforma bastante no decorrer do desemvolvimento, mesmo assim, acredito que o plano de negócios é essencial. O que acontece é que algumas pessoas, infelizmente, são muito boas em planejamento e tem dificuldade em executar. Para estas pessoas talvez seja melhor mesmo focar na execução e ir corrigindo o curso no decorrer do projeto, principalmente negócios na internet, que geralmente tem o custo de implantação menor.

    empreendedor

  • ariane nogueira

    adooreeeei