Marcelo Toledo

startups, empreendedorismo e tecnologia

O mundo está nas suas mãos

A educação formal é baseada na transferência de conhecimento através da comunicação. Já a educação informal é baseada na aquisição de conhecimento através de estudos e experimentações auto-motivadas.

A primeira é formal por ter sido estabelecida pelo governo como educação padrão. Ela é praticamente obrigatória e não seguir o padrão certamente lhe trará riscos, basta analisar como são feitos os filtros de contratação de profissionais nas empresas, a pessoa que esta recrutando recebe um currículo e a primeira coisa que ela faz é descer até o item Formação Acadêmica, se não for uma faculdade de primeira linha e um bom curso, o currículo automaticamente vai para o lixo.

A educação formal tenta transferir o conhecimento que o professor tem, e muitas vezes não tem, para o aluno, com a ajuda de livros e materiais de apoio. Durante uma hora ou mais o professor se dirige aos alunos falando sem parar. O grande problema é que o ser humano não consegue manter-se focado por muito tempo, muito do que é falado não é escutado, e muito pouco do que é escutado é aprendido. Não é a toa que a educação formal exige um esforço pessoal extra classe chamado lição de casa, só assim o aluno consegue realmente aprender o que foi ensinado.

A educação informal não é obrigatória e depende totalmente da motivação. Normalmente as pessoas que se auto-educam são tão motivadas e focadas, que não deixam passar uma página ser ler ou uma questão sem responder. Assuntos mais complexos eram mais difíceis de serem solucionados no passado, mas com a globalização e a internet, é possível expandir seus horizontes interagindo com outras pessoas que já resolveram ou tem uma visão ampliada, estes são mentores, pessoas muito diferentes de professores.

Ainda estamos em um mundo capitalista, o objetivo de uma escola ou faculdade é ter receita financeira, quanto mais aluno girar, melhor, é difícil não citar aqui como os interesses são contrários. Para fins financeiros, que diferença faz se o aluno aprender ou não? Manter o curso fácil pode ser bom, afinal as pessoas hoje não se preocupam em aprender, somente em ter um diploma. Universidade virou McDonald’s, existe uma para cada quarteirão, é impossível que todos os professores sejam capacitados.

Voltemos ao conceito da palavra estagiário, estudante, munido somente de conhecimento teórico, arregaça suas mangas para primeira vez colocar em prática suas teorias. É completamente impedido, porque as empresas de hoje em dia só contratam pessoas com experiência comprovada.

O aluno se forma, nunca conseguiu estagiar e vai para o mercado de trabalho sem experiência, o que acontece? Arruma um QI (Quem Indica) e vira chefe. Faz concurso. Vira padre de tanto rezar. Adiciona o @boninho para tentar entrar no Big Brother.

Mas como eu falei no inicio desse artigo, não estudar formalmente corre-se risco de não ser bem sucedido, ou acabar como: Richard Branson (Virgin), Michael Dell (Dell), Barry Diller (Fox), Walt Disney (Disney), Steve Jobs (Apple), Henry Ford (Ford), Bill Gates (Microsoft), Milton Hershey (Hershey’s), etc.

Como eu falo no meu último artigo, a vida precisa de equilíbrio, nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Nem tudo que esta aqui é certo ou o melhor. Eu espero que você questione as coisas. Não aceite tudo que te deram ou existe aqui sem pensar e analisar, afinal você é responsável pelo que acontece no mundo.

  • http://www.blogdoboldo.com/ Filipe Boldo

    Um ano de mercado vale mais que uma faculdade inteira. Tempo é limitado. Quanto tempo se gasta assistindo uma aula inútil ou fazendo pesquisas e cálculos idiotas? Não seja um bunda mole, aja.
    Ótimo post Marcelo!

  • http://www.saiadolugar.com.br Millor Machado

    Marcelo,
    Muito bacana o post! É bom vê-lo de volta ao blog.

    Essa questão do aprendizado é o fator que me deixa mais orgulhoso por ter feito engenharia. Muitos professores falaram “Esses cálculos, vocês não precisam fazer. Software resolve tudo. Em compensação, terem passado por mim é o que vai deixar vocês preparados pra vida”.

    Sem dúvida essa educação informal é extremamente importante e ainda digo mais, é nessa curiosidade por aprender coisas novas de maneiras não tradicionais que encontramos os verdadeiros empreendedores.

    Concorda?

    Abração!

  • carlosrodrigues

    Olá Marcelo!
    Parabéns pelo artigo!
    Excelente a sua capacidade de síntese e objetividade.
    Com relação à educação formal para mim ficou claro.
    Para discussão: Educação não formal é informal?
    Entendo que se não formal, a educação é não formal.Exemplo de cursos livres pela internet.Estruturados pedagógica ou andragogicamente, com emissão de certificado e não diploma cartorial do MEC.
    Existe também sim um terceiro tipo, essa sim a secular educação informal, totalmente dessestruturada praticada fora do academicismo formal ou informal. É o papo de café, a conversa de botequim, a conversa com seu guru …
    O que você acrescentaria?

  • lfamorim

    O caminho da educação informal é solitário e traiçoeiro, onde poucas empresas irão contratá-lo, exigindo diferentes graus de formação acadêmica.
    Quem decidir trilhar deve ter em mente que vai estar sempre a sós, como empreendedor, ou autônomo. E os riscos de ser um autônomo são infinitamente maiores do que o de um empregado CLT. Por isto poucos ousam trilhar, é a absoluta falta de competência não acreditar em si mesmo.
    Não diria que a educação informal é um veneno, o problema dos nossos tempos é a cultura. O preconceito e inversão de valores de acreditar que unicamente o diploma prova a capacidade de trabalho.
    Aceitar a educação informal é um passo importante para eliminar a mediocridade que as universidades brasileiras colocam. Precisamos avaliar as pessoas pelo que elas sabem, e não pelo que elas dizem saber, este é o pesadelo do ensino fast-food.

    Parabéns Marcelo por outro artigo. Virei um leitor assíduo do seu blog.

  • http://blog.marcelotoledo.org Marcelo Toledo

    Grande Millor,

    O homem do empreendemia.com.br, sempre uma honra ter seus comentários aqui!

    Essa é uma vertente muito importante e o comentário do seu professor foi muito feliz, não é a toa que hoje, diversos executivos de muito sucesso são engenheiros, certamente não usam nenhum calculo em seu dia-a-dia, mas a preparação para as porradas da vida, os tornou diferentes.

    Mas por outro lado eu acho que contradiz totalmente o propósito da educação formal. Se o calculo não é necessário, não existe outra forma chegar ao mesmo resultado?

    Penso também que as pessoas deveriam ser aproveitas de formas diferentes, eu estudei com colegas que tinham perfis fantásticos, um deles era expulso de 90% das nossas aulas, ele era absolutamente eletrico e mal conseguia prestar atenção nas aulas, se alguém aproveitasse essa eletricidade toda para torna-lo um atleta, talvez ele fosse o próximo Phelps, mas não, sempre foi tachado como péssimo aluno.

  • http://blog.marcelotoledo.org Marcelo Toledo

    Oi Carlos,

    Concordo com você, eu só não gosto da ideia de que todos precisam comprar conhecimento para serem válidos. Uma vez o Bill Gates fez um comentário a respeito do livro The Art of Computer Programming do Knuth.

    Foi algo mais ou menos assim: “Se você conseguiu ler este livro e entender, eu quero te contratar”. Ele não deu a mínima para faculdade, MBA, mestrado ou doutorado, porque certamente muitos que terminaram todos esses cursos juntos podem não conseguir entender as duas primeiras páginas desse livro…

    Grande abraço!

  • http://blog.marcelotoledo.org Marcelo Toledo

    Lucas,

    O comentário foi tão bom que vale um post no seu blog!

    Grande abraço!

  • http://blog.marcelotoledo.org Marcelo Toledo

    Boa Boldo!

    Veja esse comentário no recém lançado livro da 37signals:

    “If given a choice between investing in someone who has read REWORK or has an MBA, I'm investing in REWORK every time. This is a must read for every entrepreneur.”
    –Mark Cuban, co-founder of HDNet and Broadcast.com and owner of the Dallas Mavericks

    Tem muito marketing, mas muita verdade e principalmente, muita sinergia com o que você falou.

    abração!

  • lfamorim

    Acabei me animando tanto na hora de comentar, que acabei fazendo uma síntese. Quem sabe numa próxima não coloque no meu blog. :)

  • carlosrodrigues

    Marcelo,

    Em meu post anterior procurei conceituar:
    - Educação formal
    - Educação não formal
    - Educação informal
    Concordo com você que comparar conhecimentos, nos tempos atuais, é puro elitísmo.
    A informação está disponível por toda a partel, aprender, juntar com sua vivência e transformá-la em conhecimento é o caminho.
    Diplomas cartoriais já provaram que não são atestados de competência.O saber é muito mais importante, não tenho dúvida.

    Um forte abraço,
    Carlos Rodrigues

  • Sônia Veiga

    “não estudar formalmente corre-se risco de não ser bem sucedido, ou acabar como:…” Eu pensei que vc ia citar o Lula. rsrsrs…ainda bem que me surpreendeu!

    Concordo em gênero, número e grau. mas vai ser preciso muitos artigos desse pra mudar o sistema. Por enquanto preciso se adequar as exigências…

    Tenho novidades para te contar, novidades da qual a conversa com vc norteou uma parte delas.

    beijinhooo

  • Sônia Veiga

    “não estudar formalmente corre-se risco de não ser bem sucedido, ou acabar como:…” Eu pensei que vc ia citar o Lula. rsrsrs…ainda bem que me surpreendeu!

    Concordo em gênero, número e grau. mas vai ser preciso muitos artigos desse pra mudar o sistema. Por enquanto preciso se adequar as exigências…

    Tenho novidades para te contar, novidades da qual a conversa com vc norteou uma parte delas.

    beijinhooo

  • http://www.saiadolugar.com.br Millor Machado

    Valeu Marcelo! É uma honra saber que é uma honra ter meus comentários por
    aqui hehe

    Na verdade, não é que o cálculo não é totalmente necessário. O engenheiro,
    assim como qualquer outro profissional, precisa conhecer os fundamentos pra
    poder aplicar bem as ferramentas. Se em nenhum momento o profissional
    colocar a mão na massa e conhecer bem os fundamentos, assim que as coisas
    começarem a fugir do que era esperado ele vai ficar perdido.

    Sobre a questão de ser aproveitado de formas diferentes, concordo
    plenamente. Cada pessoa tem dons e aptidões diferentes, direcionar isso é um
    desafio e tanto. Nessa hora acredito que os pais tenham grande importância,
    afinal é mais fácil pra eles orientar os filhos do que os professores que
    precisam lidar com um volume de pessoas muito maior.

    Abração!

    2010/3/12 Disqus <>

  • David Galasse

    Muito legal cara. Esses dias li um artigo falando sobre a educação em casa (ou home schooling). Para os padrões atuais de ensino, nem o home schooling, nem a escola são totalmente eficientes. Infelizmente educar os filhos em casa é considerado crime, qualquer juiz condena essa prática, aplicando multas aos pais “omissos”. De qualquer forma, estudos indicam q as notas de crianças educadas em casa são melhores q a média. Muita coisa precisa ser revista em educação. Faculdades então, idem. O governo FHC criou mecanismos para destruir a educação superior brasileira, com o MEC aprovando uma instituição de ensino a cada 30 segundos. E o governo Lula pouco fez pra melhorar o estrago feito por essa explosão das UNI-”X”. A universidade está muito, muito distante do mercado e da própria 'razão de ser' da educação. Estamos engatinhando.

  • http://twitter.com/oleiro oleiro

    Como disse o grande profissional da publicidade nacional, Alex Periscinoto: “Mais vale o que se aprende do que aquilo que te ensinam”.

  • http://twitter.com/liderdoamanha Tony Couñago

    Olá!
    Marcelo, adorei sua visão, parabéns.
    Ninguém é igual a ninguém mas, as vezes compartilha-se as mesmas idéias gostaria de compartilhar as minhas com vc. http://liderdoamanha.blogspot.com
    O Brasil precisa de pessoas de visão ampla como a sua.
    Valeu,
    Tony Couñago.

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  • Laytradinha