Marcelo Toledo

startups, empreendedorismo e tecnologia

SSD, você precisa ter um! (Parte 1 de 2)

O primeiro computador que eu usei foi um MSX Expert DD Plus de um grande amigo. Paixão imediata quando vi aquela quantidade enorme de botões. Meu sonho a partir daquele momento era ter um computador. Não tinha ideia pra que, mas eu queria um.

Depois de um tempo meu pai comprou um 386 pra casa, doce ilusão que eu deixaria alguém daquela casa tocar naquela máquina. Cliquei em todos os botões, janelas, opções, descobri praticamente todos os bugs do Windows 3. Depois veio a fase do desmanche, desmontei ele inteirinho, como se fosse um médico dissecando uma rã.

Meu primeiro jogo veio em um daqueles disquetes flexíveis e por incrível que pareça, não havia espaço em disco suficiente, que frustração, acho que naquela época falávamos de 40MB de disco rígido, que já era impressionantemente grande, o preço era bem salgado também, por volta de U$2.000,00. Hoje compramos HDs de 1TB por menos de 100 dólares.

Muitos o chamavam naquela época de Winchester, mas o nome oficial é HDD – Hard Disk Drive, ou HD como quase todo mundo fala. Assim que meu jogo não entrou no computador, descobri que era esse maldito que não tinha tamanho suficiente. Acho que foi a partir desse momento que realmente descobri que o HD era o responsável por registrar absolutamente tudo que eu produzia ou armazenava (Documentos, músicas, fotografias, filmes, etc).

Acontece que o HD é um dos dispositivos mais arcaicos do computador, na minha opinião. Sendo bem superficial na explicação, um dos principais elementos do HD é um pedaço de ferro bem fino, mas pra acalmar os mais técnicos, ele é uma mídia laminada magnética, é ali que todos os seus dados ficam.

Essa superfície é dividida em centenas de milhares de minúsculos blocos, dentro desses blocos são armazenados os dados, é um pouco técnico, mas já te explico como.

Existe um componente fundamental em um HD que é a cabeça de leitura e gravação, muitas vezes chamada de agulha. Ela é presa a um braço mecânico, que se movimenta para parte mais interior e mais exterior do disco, enquanto o disco gira desenhando movimentos de 360 graus. O giro somado ao movimento do braço, permite a cabeça correr por toda superfície do disco. Para vocês terem uma ideia, atualmente eles conseguem atingir uma velocidade média de 7mil rotações por minuto.

Você já percebeu que quando você faz uma cópia de um arquivo muito grande, seu computador faz mais barulho? Antigamente isso era mais audível, hoje eles estão mais silenciosos, mas isso acontece exatamente porque a cabeça esta girando enlouquecidamente, parecendo uma turbina de avião. Veja só porque:

A cabeça de gravação funciona exatamente como um eletroímã, porém ela tem uma precisão inacreditável, consegue gravar blocos de dados com tamanhos inferiores a um milésimo de milímetro de área.

Para registrar dados no disco, a cabeça se dirige até o bloco ou trilha de interesse, e pondo em prática o conceito de que os opostos se atraem, ela alterna a polaridade para organizar as moléculas de óxido de ferro, alinhando os pólos positivos com negativos e vice-versa. Dessa forma, todos os dados no HD são registrados magneticamente em polo positivo ou negativo, absolutamente tudo que esta lá é 1 (um) ou 0 (zero).

Você já esteve brincando com um imã e alguém lhe falou para deixa-lo longe de equipamentos eletrônicos? Outro dia um colega de trabalho, levou para a empresa um brinquedinho de imã de quase 1kg. E sabe onde ele deixou? Enfeitando a sua mesa, bem ao lado do seu Mac Book Air. Acho que ele só vai entender meu pânico depois de ler este artigo.

O HD tem uma proteção externa, que aguenta até uma determinada força de campo magnético, mas se for ultrapassada, ela pode alterar os dados do HD, sim. Então crianças, cuidado com os imãs próximos aos HDs.

Agora que eu consegui explicar o que é e como funciona um HD, deixa eu te contar um segredo. Ele vai morrer muito em breve, coitadinho.

Agora que vem a parte mais interessante desse artigo. Eu vou te mostrar o que já substitui o HD e te dizer todas as vantagens e desvantagens, assim a próxima vez que você for comprar um computador, saberá diferenciar um e outro.

Mas serei sincero, acabei de voltar lá pro início do artigo e vi que essa introdução ficou grande demais, se tornou um artigo por si só. Então faremos o seguinte, vou ficar por aqui e no próximo artigo eu continuo falando sobre o assassino do HD, o SSD – Solid-State Drive e porque ele tem que estar no seu próximo computador.

Leia a segunda parte deste artigo: SSD, você precisa ter um! (Parte 2 de 2)

  • Armengue

    RW, o grande problema do SSD são as capacidades que ainda não são tão grandes e quando são ainda são caros, assim como na história do HD. No final de 2008 comprei um note com apenas 60GB de disco, em 2009 com 120GB mas tinha que andar com o velho e bom hd externo pra contornar a falta de espaço.

  • http://profiles.yahoo.com/u/TFNU6F64C3LSFTLARXTXVVE5CA Sergio

    Olá Marcelo,

    É realmente impressionante como ainda dependemos de um dispositivo essencialmente mecânico, mesmo se considerarmos o quanto a tecnologia de hard-disks evoluiu nos últimos anos em termos de capacidade de processamento e tempo de acesso.

    Mas ainda assim não acredito que teremos dispositivos SSD entrando forte no mercado nos próximos anos, pelos menos não enquanto a relação custo por megabyte for tão alta comparando-se com as dos HDs.

    De qualquer forma, acredito que a evolução natural seja um sistema hibrido com SSD armazenando o SO e aplicativos, e HDs para armazenamento de dados, o que já vem ocorrendo com smartphones e netbooks.

    Um abraço,

    Sergio Prado
    http://www.sergioprado.org

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