Marcelo Toledo Marcelo Toledo
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Startups: Sócios co-fundadores

“Estou abrindo uma Startup, devo ou não ter sócios co-fundadores?”

A resposta é simples e objetiva.

Sim!

Explico porquê:

Uma ideia não vale absolutamente nada. O processo de execução é o inicio de geração de valor para uma startup. Se o produto ou serviço tiver potencial, quanto mais executado, maior valor a startup terá.

Uma empresa, principalmente no início, exige vários tipos de conhecimentos de áreas diferentes e muita mão na massa. O primeiro fato que você precisa assumir é que você não é bom em tudo e não terá capacidades físicas de fazer tudo sozinho.

Para quem esta amadurecendo a ideia de abrir uma startup pela primeira vez, dividi-la com alguém, quase nunca é bem visto. São poucas as pessoas que concordam com esta ideia de bate-pronto. Afinal:

“Eu que tive a ideia! Eu que sou o mais experiente! Por que vou dividir a pizza com alguém se eu posso fazer tudo sozinho. Já imaginou se eu ganhar um milhão e ainda ter que dividir?”

Eu diria que todo mundo já teve este posicionamento pelo menos uma vez na vida, comigo não foi diferente. Infelizmente não tive alguém para me orientar a ter um sócio, então fui a luta e tentei fazer as coisas do meu jeito, tentei os pensamentos abaixo, nesta ordem:

  • Consigo fazer tudo sozinho. Resultado: Não consegui.
  • Consigo terceirizar tudo com India/China. Resultado: Saiu uma merda.
  • Consigo contratar gente boa. Resultado: Fiquei quebrado.

Esses pequenos e singelos pontos, resumiram vários anos da minha vida, e todas eles falharam até eu encontrar um modelo viável, sustentável no longo prazo e que não me deixasse quebrado até o fluxo de caixa da startup girar.

Conseguir um sócio por si só é um grande desafio. Vender a sua ideia para alguém, é vender um sonho que a pessoa precisa acreditar, para largar tudo, assumir um grande risco e além de tudo isso, ter que colocar dinheiro. Conseguir convencer um sócio de que a sua ideia vale todos os sacrifícios, é uma grande conquista.

Ele precisa ser escolhido a dedo, afinal você vai passar a maior parte do seu dia ao lado dele, muito mais do que encima do seu colchão, ou com a sua própria esposa/marido:

  • Muitas vezes o sócio nasce de uma grande amizade, mas não tenha pressa, escolha com calma uma pessoa que as ideias sejam compatíveis e que os objetivos de vida sejam similares.
  • Escolha alguém que você consiga discutir sem brigar, e se brigarem, e isso vai acontecer, que saibam rapidamente fazer as pazes sem guardar magoas.
  • Escolha alguém brilhante, inteligente, dedicado, esforçado, leal e confiável.

Fazendo isso, você trará muitas vantagens para sua startup:

  • Equilibrio: Se você tem a cabeça no céu, seria legal ter um sócio pé no chão.
  • Múltiplas especialidades: Se você conhece muito de tecnologia, seria legal ter um sócio que conheça muito de vendas e marketing.
  • Execução com qualidade: Enquanto você trabalhar na parte tecnológica do produto, seu sócio trabalhará na parte de divulgação e venda.
  • Mais capital: É ótimo ter alguém para dividir as despesas até o caixa se tornar positivo.

Para dar mais força aos argumentos, existem vários exemplos de grandes empresas que tiveram sociedades brilhantes:

  • Apple – Steve Wozniak e Steve Jobs
  • HP – Hewlett e Packard
  • Microsoft – Bill Gates e Paul Allen
  • Google – Larry Page e Sergey Brin

Depois de tudo isso dito, você ainda teima, é possível criar uma startup sem sócios?

Absolutamente, principalmente se você tiver capital suficiente e/ou esta não for sua primeira startup. Caso seja sua primeira startup, também é possível, mas é muito raro dar certo e eu não recomendo, vai arriscar?

Resumindo, a não ser que você conheça startups como ninguém ou seja rico, abra sua startup com sócios!

  • http://twitter.com/stulzer stulzer

    Ter sócios foi uma das atitudes fundamentais para o (relativo) sucesso da Conectiva. Sem sócios não teríamos começado, e nem chego tão longe.

    Abraços!
    Rodrigo Stulzer
    transpirando.com

  • http://www.deskmetrics.com Bernardo Porto

    Oi Marcelo.

    Ótimo post! Gostaria de compartilhar a minha experiência. Empreendo desde meus 18 anos, então tenho aí quase seis anos de vitórias e derrotas. Posso dizer que ter um co-fundador é interessante (e importante) mas não é uma tarefa fácil encontrar um. Às vezes a pessoa lhe complementa tecnicamente, mas em todos os outros aspectos ela não é “brilhante”.

    Fato número 1. -> É complicado encontrar uma pessoa disposta a arriscar junto. Já tive experiência com um possível co-fundador que me pediu vários benefícios para arriscar, desde vale-refeição até um bom salário. Este queria moleza.

    Já também vivenciei situações com co-fundador que, depois de meses, veio me falar que estava insatisfeito pois não sentia que a ideia era dele (após meses falando o contrário).

    Também já passei por situações em que a empresa estava indo bem e o co-fundador vivia rindo, estava do meu lado e fazendo juras de amor pelo negócio. Quando a situação piorou em um determinado momento, o co-fundador foi buscar outras atividades fora da empresa e deixou o problema para mim. Isto deixa qualquer um decepcionado.

    Acredito que, se você é sócio de uma empresa, você deve lutar por ela até o fim (independente da % na sociedade).

    Estou cansado de ver pessoas que querem só compartilhar os momentos alegres e quando os problemas aparecem (como a falta de dinheiro), a responsabilidade é de quem teve a ideia e “inventou” o negócio.

    “It will succeed in part by me, and I will get partial credit for its success. But it will fail in full by me, and I will take 100% of the responsibility for its failure.”

    Parabéns pelo post! Abraços.

    • http://www.saiadolugar.com.br Millor Machado

      Cara, ia comentar justamente essa questão que Portinho levantou!

      No meu caso, uma das coisas que mais me considero sortudo com a Empreendemia foi o fato de ter achado 2 co-fundadores com habilidades complementares, mas com exatamente os mesmos valores e ambições.

      Quando se tem a “essência” parecida e habilidades complementares, a vida fica muito mais fácil.

      Inclusive, essa questão dos valores só se confirma de verdade nos momentos de tensão. Nos momentos em que eu pensava “F….. agora que a gente vai ter desentendimentos entre os sócios” é que a relação se fortaleceu mais.

      Sem dúvidas bons co-fundadores é coisa raríssima, mas deixa toda a jornada muito mais fácil.

      Abraços!

      • Lucas Cavalcante

        Pois eu estou passando exatamente por esse problema. A dificuldades de encontrar alguém dedicado (principalmente), amigo, confiável, que esteja disposto a correr riscos, que compre a idéia, está praticamente impossível!

        Como eu sou mais voltado para a área tecnológica, procuro alguém bom na área comercial/marketing. Mas tá f***. Já estou desistindo e resolvendo tudo sozinho, e terceirizando o que não estou dando conta.

        Até meu irmão (que é formado em marketing e trabalhou com vendas a vida toda)… aceitou o desafio, mas não vi mover uma palha para fazer o negócio acontecer. Parece que quer as coisas caindo do céu diramente no colo.  Ou seja, não comprou a idéia!

        E eu estou sendo o cara do desenvolvimento, dos contatos, do projeto, do financeiro, etc, etc, etc… e isso tudo tendo emprego, fazendo faculdade, e tendo esposa para dar atenção!

        A solução que arrumei até o momento é a terceirização mesmo. O que eu puder, eu terceirizo.

    • Mateus Bicalho

      Excelente post, Marcelo!

      Portinho, você disse tudo.

  • http://twitter.com/ericnsantos Eric Santos

    Oi Marcelo,
    Não vamos necessariamente discordar, até porque também acho que sócios são importantíssimos, mas vou repetir a heresia do Mark Suster: ande sozinho o quanto puder antes de convocar o(s) outro(s) sócio(s).

    Deixo ele fazer o jogo sujo: :P
    http://ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=2521

    Timing é tudo, e esse primeiro movimento solo, mesmo que por apenas alguns meses, tem um impacto gigantesco nas condições de entrada dos outros, além de uma maior manutenção do controle e equity ao longo do tempo.

    É a mesma lógica que justifica um founder ter 100/1000x mais cotas que um colaborador com stock-options.
    http://venturehacks.com/articles/employees-founders

    Abraços!
    Eric

  • http://marcelotoledo.com Marcelo Toledo

    Artigo polêmico com excelentes contribuições!

    Existe um outro tema, muito similar a este, que existe muito assunto a ser gerado, que são os sócios pós-fundação da empresa. São eles, funcionários, Angels, VCs, etc. Mas este é um assunto que cabe melhor em outros temas, grande parte deles em M&A.

    Abraço e obrigado!

  • http://marcelotoledo.com Marcelo Toledo
  • http://www.maurilioalberone.com Maurilio Alberone

    Pra mim não existe uma formula e a imagem do yin yang já diz tudo.
    Já passei por parte do levantado pelo Marcelo e pelo Bernardo. E em determinados momentos concordo bastante com a visão do Eric.
    Ter um time forte e complementar é, sem duvida, um diferencial pro sucesso. Mas, como pessoas não são guiadas pela matemática, não é tão simples assim.
    Ótima discussão e melhor ainda ver a opinião de todos vocês sobre o tema.

    Abraços.

  • http://twitter.com/DiogoAguilar Diogo Aguilar

    Empreendo desde os 14 anos e sempre preferi abrir sozinho e convocar o sócio depois, mas tudo depende e acho que a questão maior está no timing, concordo bastante com a visão do Eric.

    O que o Bernardo falou é bem verdade também, hoje em dia é complicado achar sócios que estejam dispostos a correr os riscos que você está disposto, e sócios sempre serão pessoas… Sendo assim, difícil de prever.

    Parabéns pelo post Marcelo.

    Abraço

    Diogo Aguilar

  • http://twitter.com/andredeveloper André Gomes

    Também me considero um cara de sorte, tenho um sócio que além de ser um amigo a anos, é esforçado e complementou a minha ideia, assim nosso plano de negocios atual tem 2 autores.

    Tenho um bom conhecimento de TI e Projetos e ele conhece infra e comercial, alem de ser financeiramente mais organizado do que eu, assim ajudou a girar o fluxo inicial de caixa da empresa.

    Ja ate conversamos sobre este assunto, que um sem o outro nada disso estaria acontecendo conosco hoje.

  • Gustavo Franco

    Belo post tenho aprendido muito aqui.

  • http://www.amoremana.org Júlio Gomes

    Parabêns Marcelo!

    Gostei muito do post, confesso que alguns conceitos acerca de ter ou não ter socios acabam de ser esclarecidos.

    Obrigado!.
    JG 

  • http://www.facebook.com/pedrosorren Pedro Sorrentino

    Fala Marcelo.

    Belo post.

    Engraçado como ao lê-lo vi os últimos 6 meses da minha vida passarem pela minha cabeça.

    Sou muito grato por fazer parte de um time equilibrado.

    Let’s do this.

    Abs!

  • http://twitter.com/jsilveira Jeferson Silveira

    Excelente post Marcelo!

    Tenho 2 empresas com sócios e atualmente estou desenvolvendo outro projeto na qual estou seguindo só, neste primeiro momento, onde acho importante o que o Eric comentou, pois creio que o mais complicado seja vender o sonho para o possível sócio.

    Sempre surgem muitos questionamentos, natural até, mas a criação de um novo projeto e a aposta nele, é e sempre será um risco e é preciso acreditar no mesmo.

    Parabéns pelo Blog.

    Abraço e sucesso a todos!

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  • Paulo H. Sacramento

    Ótimo post, realmente é necessário e sabendo disso estou em busca de sócios para minha primeira startup

  • Eric

    Ola, estou passando por algo assim neste momento pois preciso de sócio para a parte de marketing já que sou desenvolvedor, alguem tem a idéia de onde eu poderia encontrar algum? para pelo menos apresentar meu projeto
    Já que estou fazendo tudo sozinho e mina networking é bem limitada

  • Robson Santana

    Também estou com esse pé atrás de socio, atualmente sou programador web, e estou lançando meu primeiro sistema, e procuro algum socio para investir um pouco mais no projeto e se dedicar.