Marcelo Toledo

startups, empreendedorismo e tecnologia

Startups: Sócios co-fundadores

7 Sept

“Estou abrindo uma Startup, devo ou não ter sócios co-fundadores?”

A resposta é simples e objetiva.

Sim!

Explico porquê:

Uma ideia não vale absolutamente nada. O processo de execução é o inicio de geração de valor para uma startup. Se o produto ou serviço tiver potencial, quanto mais executado, maior valor a startup terá.

Uma empresa, principalmente no início, exige vários tipos de conhecimentos de áreas diferentes e muita mão na massa. O primeiro fato que você precisa assumir é que você não é bom em tudo e não terá capacidades físicas de fazer tudo sozinho.

Para quem esta amadurecendo a ideia de abrir uma startup pela primeira vez, dividi-la com alguém, quase nunca é bem visto. São poucas as pessoas que concordam com esta ideia de bate-pronto. Afinal:

“Eu que tive a ideia! Eu que sou o mais experiente! Por que vou dividir a pizza com alguém se eu posso fazer tudo sozinho. Já imaginou se eu ganhar um milhão e ainda ter que dividir?”

Eu diria que todo mundo já teve este posicionamento pelo menos uma vez na vida, comigo não foi diferente. Infelizmente não tive alguém para me orientar a ter um sócio, então fui a luta e tentei fazer as coisas do meu jeito, tentei os pensamentos abaixo, nesta ordem:

  • Consigo fazer tudo sozinho. Resultado: Não consegui.
  • Consigo terceirizar tudo com India/China. Resultado: Saiu uma merda.
  • Consigo contratar gente boa. Resultado: Fiquei quebrado.

Esses pequenos e singelos pontos, resumiram vários anos da minha vida, e todas eles falharam até eu encontrar um modelo viável, sustentável no longo prazo e que não me deixasse quebrado até o fluxo de caixa da startup girar.

Conseguir um sócio por si só é um grande desafio. Vender a sua ideia para alguém, é vender um sonho que a pessoa precisa acreditar, para largar tudo, assumir um grande risco e além de tudo isso, ter que colocar dinheiro. Conseguir convencer um sócio de que a sua ideia vale todos os sacrifícios, é uma grande conquista.

Ele precisa ser escolhido a dedo, afinal você vai passar a maior parte do seu dia ao lado dele, muito mais do que encima do seu colchão, ou com a sua própria esposa/marido:

  • Muitas vezes o sócio nasce de uma grande amizade, mas não tenha pressa, escolha com calma uma pessoa que as ideias sejam compatíveis e que os objetivos de vida sejam similares.
  • Escolha alguém que você consiga discutir sem brigar, e se brigarem, e isso vai acontecer, que saibam rapidamente fazer as pazes sem guardar magoas.
  • Escolha alguém brilhante, inteligente, dedicado, esforçado, leal e confiável.

Fazendo isso, você trará muitas vantagens para sua startup:

  • Equilibrio: Se você tem a cabeça no céu, seria legal ter um sócio pé no chão.
  • Múltiplas especialidades: Se você conhece muito de tecnologia, seria legal ter um sócio que conheça muito de vendas e marketing.
  • Execução com qualidade: Enquanto você trabalhar na parte tecnológica do produto, seu sócio trabalhará na parte de divulgação e venda.
  • Mais capital: É ótimo ter alguém para dividir as despesas até o caixa se tornar positivo.

Para dar mais força aos argumentos, existem vários exemplos de grandes empresas que tiveram sociedades brilhantes:

  • Apple – Steve Wozniak e Steve Jobs
  • HP – Hewlett e Packard
  • Microsoft – Bill Gates e Paul Allen
  • Google – Larry Page e Sergey Brin

Depois de tudo isso dito, você ainda teima, é possível criar uma startup sem sócios?

Absolutamente, principalmente se você tiver capital suficiente e/ou esta não for sua primeira startup. Caso seja sua primeira startup, também é possível, mas é muito raro dar certo e eu não recomendo, vai arriscar?

Resumindo, a não ser que você conheça startups como ninguém ou seja rico, abra sua startup com sócios!

  • http://twitter.com/stulzer stulzer

    Ter sócios foi uma das atitudes fundamentais para o (relativo) sucesso da Conectiva. Sem sócios não teríamos começado, e nem chego tão longe.

    Abraços!
    Rodrigo Stulzer
    transpirando.com

  • http://www.deskmetrics.com Bernardo Porto

    Oi Marcelo.

    Ótimo post! Gostaria de compartilhar a minha experiência. Empreendo desde meus 18 anos, então tenho aí quase seis anos de vitórias e derrotas. Posso dizer que ter um co-fundador é interessante (e importante) mas não é uma tarefa fácil encontrar um. Às vezes a pessoa lhe complementa tecnicamente, mas em todos os outros aspectos ela não é “brilhante”.

    Fato número 1. -> É complicado encontrar uma pessoa disposta a arriscar junto. Já tive experiência com um possível co-fundador que me pediu vários benefícios para arriscar, desde vale-refeição até um bom salário. Este queria moleza.

    Já também vivenciei situações com co-fundador que, depois de meses, veio me falar que estava insatisfeito pois não sentia que a ideia era dele (após meses falando o contrário).

    Também já passei por situações em que a empresa estava indo bem e o co-fundador vivia rindo, estava do meu lado e fazendo juras de amor pelo negócio. Quando a situação piorou em um determinado momento, o co-fundador foi buscar outras atividades fora da empresa e deixou o problema para mim. Isto deixa qualquer um decepcionado.

    Acredito que, se você é sócio de uma empresa, você deve lutar por ela até o fim (independente da % na sociedade).

    Estou cansado de ver pessoas que querem só compartilhar os momentos alegres e quando os problemas aparecem (como a falta de dinheiro), a responsabilidade é de quem teve a ideia e “inventou” o negócio.

    “It will succeed in part by me, and I will get partial credit for its success. But it will fail in full by me, and I will take 100% of the responsibility for its failure.”

    Parabéns pelo post! Abraços.

    • http://www.saiadolugar.com.br Millor Machado

      Cara, ia comentar justamente essa questão que Portinho levantou!

      No meu caso, uma das coisas que mais me considero sortudo com a Empreendemia foi o fato de ter achado 2 co-fundadores com habilidades complementares, mas com exatamente os mesmos valores e ambições.

      Quando se tem a “essência” parecida e habilidades complementares, a vida fica muito mais fácil.

      Inclusive, essa questão dos valores só se confirma de verdade nos momentos de tensão. Nos momentos em que eu pensava “F….. agora que a gente vai ter desentendimentos entre os sócios” é que a relação se fortaleceu mais.

      Sem dúvidas bons co-fundadores é coisa raríssima, mas deixa toda a jornada muito mais fácil.

      Abraços!

      • Lucas Cavalcante

        Pois eu estou passando exatamente por esse problema. A dificuldades de encontrar alguém dedicado (principalmente), amigo, confiável, que esteja disposto a correr riscos, que compre a idéia, está praticamente impossível!

        Como eu sou mais voltado para a área tecnológica, procuro alguém bom na área comercial/marketing. Mas tá f***. Já estou desistindo e resolvendo tudo sozinho, e terceirizando o que não estou dando conta.

        Até meu irmão (que é formado em marketing e trabalhou com vendas a vida toda)… aceitou o desafio, mas não vi mover uma palha para fazer o negócio acontecer. Parece que quer as coisas caindo do céu diramente no colo.  Ou seja, não comprou a idéia!

        E eu estou sendo o cara do desenvolvimento, dos contatos, do projeto, do financeiro, etc, etc, etc… e isso tudo tendo emprego, fazendo faculdade, e tendo esposa para dar atenção!

        A solução que arrumei até o momento é a terceirização mesmo. O que eu puder, eu terceirizo.

    • Mateus Bicalho

      Excelente post, Marcelo!

      Portinho, você disse tudo.

  • http://twitter.com/ericnsantos Eric Santos

    Oi Marcelo,
    Não vamos necessariamente discordar, até porque também acho que sócios são importantíssimos, mas vou repetir a heresia do Mark Suster: ande sozinho o quanto puder antes de convocar o(s) outro(s) sócio(s).

    Deixo ele fazer o jogo sujo: :P
    http://ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=2521

    Timing é tudo, e esse primeiro movimento solo, mesmo que por apenas alguns meses, tem um impacto gigantesco nas condições de entrada dos outros, além de uma maior manutenção do controle e equity ao longo do tempo.

    É a mesma lógica que justifica um founder ter 100/1000x mais cotas que um colaborador com stock-options.
    http://venturehacks.com/articles/employees-founders

    Abraços!
    Eric

  • http://marcelotoledo.com Marcelo Toledo

    Artigo polêmico com excelentes contribuições!

    Existe um outro tema, muito similar a este, que existe muito assunto a ser gerado, que são os sócios pós-fundação da empresa. São eles, funcionários, Angels, VCs, etc. Mas este é um assunto que cabe melhor em outros temas, grande parte deles em M&A.

    Abraço e obrigado!

  • http://marcelotoledo.com Marcelo Toledo
  • http://www.maurilioalberone.com Maurilio Alberone

    Pra mim não existe uma formula e a imagem do yin yang já diz tudo.
    Já passei por parte do levantado pelo Marcelo e pelo Bernardo. E em determinados momentos concordo bastante com a visão do Eric.
    Ter um time forte e complementar é, sem duvida, um diferencial pro sucesso. Mas, como pessoas não são guiadas pela matemática, não é tão simples assim.
    Ótima discussão e melhor ainda ver a opinião de todos vocês sobre o tema.

    Abraços.

  • http://twitter.com/DiogoAguilar Diogo Aguilar

    Empreendo desde os 14 anos e sempre preferi abrir sozinho e convocar o sócio depois, mas tudo depende e acho que a questão maior está no timing, concordo bastante com a visão do Eric.

    O que o Bernardo falou é bem verdade também, hoje em dia é complicado achar sócios que estejam dispostos a correr os riscos que você está disposto, e sócios sempre serão pessoas… Sendo assim, difícil de prever.

    Parabéns pelo post Marcelo.

    Abraço

    Diogo Aguilar

  • http://twitter.com/andredeveloper André Gomes

    Também me considero um cara de sorte, tenho um sócio que além de ser um amigo a anos, é esforçado e complementou a minha ideia, assim nosso plano de negocios atual tem 2 autores.

    Tenho um bom conhecimento de TI e Projetos e ele conhece infra e comercial, alem de ser financeiramente mais organizado do que eu, assim ajudou a girar o fluxo inicial de caixa da empresa.

    Ja ate conversamos sobre este assunto, que um sem o outro nada disso estaria acontecendo conosco hoje.

  • Gustavo Franco

    Belo post tenho aprendido muito aqui.

  • http://www.amoremana.org Júlio Gomes

    Parabêns Marcelo!

    Gostei muito do post, confesso que alguns conceitos acerca de ter ou não ter socios acabam de ser esclarecidos.

    Obrigado!.
    JG 

  • http://www.facebook.com/pedrosorren Pedro Sorrentino

    Fala Marcelo.

    Belo post.

    Engraçado como ao lê-lo vi os últimos 6 meses da minha vida passarem pela minha cabeça.

    Sou muito grato por fazer parte de um time equilibrado.

    Let’s do this.

    Abs!

  • http://twitter.com/jsilveira Jeferson Silveira

    Excelente post Marcelo!

    Tenho 2 empresas com sócios e atualmente estou desenvolvendo outro projeto na qual estou seguindo só, neste primeiro momento, onde acho importante o que o Eric comentou, pois creio que o mais complicado seja vender o sonho para o possível sócio.

    Sempre surgem muitos questionamentos, natural até, mas a criação de um novo projeto e a aposta nele, é e sempre será um risco e é preciso acreditar no mesmo.

    Parabéns pelo Blog.

    Abraço e sucesso a todos!

  • Pingback: Startup MS – Estou abrindo uma Startup, devo ou não ter sócios co-fundadores?

  • Paulo H. Sacramento

    Ótimo post, realmente é necessário e sabendo disso estou em busca de sócios para minha primeira startup

  • Eric

    Ola, estou passando por algo assim neste momento pois preciso de sócio para a parte de marketing já que sou desenvolvedor, alguem tem a idéia de onde eu poderia encontrar algum? para pelo menos apresentar meu projeto
    Já que estou fazendo tudo sozinho e mina networking é bem limitada

  • Robson Santana

    Também estou com esse pé atrás de socio, atualmente sou programador web, e estou lançando meu primeiro sistema, e procuro algum socio para investir um pouco mais no projeto e se dedicar.

    • Roberto

      Robson, tenho os skills que vc procura. E tb estou bastante disposto a dedicar em uma boa ideia. Rob_silvajr@hotmail.com

  • Ricardo Diasjoi

    Bom, o problema de cruzar as ideias com o potencial social e filtrar as idéias compatíveis e depois dos entendimentos das responsabilidades de cada um, resta a parte que deveria ser mais flexível na questão “Discussão dos Merecimentos” ao se discutir as Cotas Sociais. ESSA CONVERSA DEFINE TUDO, pois se o objetivo principal for TRABALHAR PARA CRESCER, o mais certo era os sócios receberem suas cotas por parâmetros alimentados durante a produção do tal produto ou serviço. Onde tais parâmetros responderá as % de cada um.

    Eu tive 3 sócios e NENHUM tinha o perfil empreendedor, ou era técnico, ou investidores, ou vendedor de luxo. E nesse case aconteceu o seguinte:
    O SÓCIO TÉCNICO, sabia demais e enquanto eu ficava na rua atrás de clientes, dai voltava pro escritorio e descobri que ele tinha “trabalhado” muito, mas qdo pedi pra ver,,, eu não acreditei, ele ficou zoando as mulheradas e passeando no favebook e no final disse que é a interação com as redes sociais. Poxa, O trabalho dele era só desenvolver o produto do cliente e sobrando tempo dai sim pensaria em redes sociais e outras coisas. Daí não rolou quimica.
    O SÓCIO INVESTIDOR, no momento mais dificil da empresa esse socio chega na sala larga um envelope com 50mil e sai da sala,,,, simples assim. Eu estava com todos os telefones do suporte tocando, funcionarios descontentes, equipamentos precisando de um upgrade para suprir mais clientes, além de uma porrada de dividas acumuladas e pra fechar com chave de ouro era o natal, como não dar um brinde pequeno mesmo aos colaboradores infelizes! Resultado=R$50mil em uma semana. Nem trabalhei, só arrumei a “CASA”
    E qdo o sócio chegou pra discutir os investimentos? O que se diz numa dessa? Falei a verdade. Ele não gostou e sai fora no mesmo silêncio que entrou.

    E o SÓCIO DE MUITAS INFLUÊNCIAS, pensei, agora to feito, a verba ta meaboca, vamos iniciar? NÃO, Faz o seguinte, compra a empresa X que está entregando os pontos e fica tranquilo pois quando começar a dar dinheiro a gente formaliza o contrato. Esse eu mandei “Se Fu,,” nesse momento eu já tinha aprendido que sócio é muito importante, se houver ego, se forem religiosos, se forem casados e com filhos, se os gostos baterem (ex: pesca ou futebol) e se a mulher tb se gostarem

    Sinceridade, sociedade é irmandade que dividem lucros e trebalho. É difícil, mas não é impossivel!