Marcelo Toledo Blog

startups, empreendedorismo e tecnologia

Startups: Onde e quando utilizar Vesting

vestindo

Vesting é um recurso muito importante para qualquer empreendedor, principalmente aqueles que estejam de alguma maneira envolvido com startups.

É um termo jurídico muito utilizado nos Estados Unidos e por toda cena de VCs e Startups. Não me parece ser um termo muito comum no Brasil, mas a parte prática, pode ser totalmente aplicada por aqui.

Não é exclusivo de Startups ou da área de tecnologia, na realidade, é um termo bem abrangente que engloba diversas situações, falo aqui, de uma delas:

Onde você deve se preocupar com Vesting na sua Startup.

Lembrando que eu não sou advogado e pouco sei dos detalhes técnicos jurídicos. O que eu menciono aqui é o que eu sei e vivi, como é, e como deve ser utilizado em uma situação real.

Como toda sociedade tem fim e ele muitas vezes chega antes do esperado, o melhor a fazer é decidir o fim, no começo. É um momento onde todos estão felizes, motivados e bem intencionados. Estar bem resolvido com o fim no começo é fundamental e dará menos chance para as brigas e desentendimentos.

O Vesting lhe auxilia a deixar resolvido uma parte importante deste fim, as participações de cada um na empresa.

No começo de uma empresa são definidos os acionistas e suas devidas participações. Ao longo do tempo, é comum ceder participações minoritárias para funcionários, advisors e board, mas antes disso acontecer, é importante definir as condições, e é exatamente aqui que o vesting entra em ação.

Imagine que um dia os sócios resolvem embarcar um funcionário muito importante e dão para ele uma participação de 10% na empresa. Um mês passa e este funcionário/acionista resolve se desligar. Anos passam, a empresa cresce de forma impressionante e quando está no seu auge, este funcionário retorna exigindo sua participação de 10%. Neste caso, não seria nem um pouco justo se este funcionário, com somente 1 mês de empresa tivesse direito a qualquer percentual, quanto mais 10%.

Vesting deve ser utilizado para todos os acionistas que não compraram sua participação na startup. Isso inclui fundadores, funcionários, advisors, membros do board e etc. Tem total ligação com o verbo vestir, e realmente significa que essas pessoas irão vestir as ações que tem direito ao longo de um determinado tempo.

No segmento de startups de tecnologia, costuma-se utilizar um vesting de 4 a 5 anos para fundadores e funcionários mais importantes. Já para advisors e membros do board este numero pode ser um pouco mais baixo, girando em torno de 2 à 3 anos.

Uma métrica que eu gosto e costumo utilizar é: Após 12 meses, 25% das ações de direito são perpetuadas, os outros 75% são divididos pelos meses restantes e perpetuados mês-a-mês.

Exemplo:

Uma determinada startup, com 1 ano de vida, contrata um Diretor de Marketing e lhe da o direito de vestir 5% de ações em 4 anos, nos seguintes moldes:

  • Recebe 25% das ações de direito (5%), ou seja 1.25% da empresa, no primeiro aniversário (12 meses).
  • Recebe o restante (75%) das ações de direito (5%), dividido pelos meses restantes (36). Serão 36 parcelas de 0.104166%, a partir do decimo terceiro mês.

Quanto mais tempo este acionista permanecer na empresa, mais ações ele vestirá. Caso ele saia antecipadamente, faz-se o cálculo para entender com quanto o acionista fica, e o saldo restante permanece com os acionistas que estavam diluindo originalmente.

O prazo inicial de um ano, sem qualquer transferência de ações, dá tempo aos acionistas para terem certeza do valor desta pessoa, afinal, pode ser que não seja a pessoa correta e neste caso, seria justo o desligamento precoce sem qualquer perda de percentual.

Também existem situações que alteram um pouco o curso deste esquema, como é o caso da entrada de um investidor. Neste caso, o vesting pode ser acelerado, ou o acionista é diluído pelo valor de direito e não pelo valor vestido. Consequentemente todas as parcelas a receber são reajustadas de acordo com a diluição. Se isso não for feito, quem tiver um vesting mais longo, receberia as mesmas parcelas de uma pizza bem maior que a originalmente acordada.

Vesting é uma segurança justa para todos os envolvidos, não esqueça de utilizar na sua startup para não se arrepender depois.

  • http://twitter.com/pedrosorren Pedro Sorrentino

    Belo post Marcelo! 

    Caiu como uma luva para nós nesse momento. Esse o da Venture Hacks. 

    Obrigado. 

    Abraços! 

  • Flavio Monteiro Amado

    Marcelo, muito bom!
    Como dentista vejo que seus posts embasam conceitos para diversas atividades. Afinal, todos oferecemos produtos, e queremos nos diferenciar.
    Um abraço!

    • http://marcelotoledo.com Marcelo Toledo

      Grande Dr. Flávio!

      É uma honra ter você por aqui.

      Fico feliz em saber que os conteúdos estejam auxiliando não somente os tecnológicos. De fato os conceitos podem ser aplicados em quaisquer áreas.

      Na área de saúde, é difícil entender o tratamento humano como um produto, parece até cruel pensar assim.

      Talvez essa seja uma das razões, da maioria dos profissionais tentarem se diferenciar pela capacitação e não pelos recursos tradicionais de marketing/vendas.

      Sob a ótica dos negócios, tratamento de saúde é um produto, assim como você mencionou. Acredito que aumentará as chances de sucesso quem souber balancear esses dois pontos.

      Obrigado por acompanhar e comentar.

      Grande abraço!

  • http://www.facebook.com/andre.sourcenet André Gomes

    Legal Marcelo, nunca tinha ouvido falar deste termo, e estava ancioso pelo post. Já sobre decidir o fim no começo, foi o q fizemos instintivamente quando formulamos a divisão da empresa, muitas pessoas ficam com demagogia achando q pensar no fim é ter certeza de um fracasso próximo, eu já penso diferente, podemos nos desligar de uma sociedade por diversos motivos..

    Continuo acompanhando…

  • http://www.tanaiska.com.br Saulo Falcão

    Muito 

  • Saulo Falcão

    Muito bom artigo, Marcelo, estava precisando exatamente dessa informação. Estava querendo premiar alguns funcionários, mas não sabia como fazer essa distribuição de ações.

    Valeu pela dica!

  • http://www.mais4.com.br Marcelo Abreu

    Perfeito seu post Marcelo Toledo. Estamos passando por uma situação exatamente descrita em seu exemplo. Estamos incluindo um profissional de comunicação e um investiror estratégico. Porém estávamos preocupados com a forma de divisão das cotas!” O vesting resolve todas nossas angustias! Obrigado pelo texto e pelas informações.
    Marcelo Abreu
    Sócio-diretor da Mais4 Social Web (www.mais4.com.br)