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O case Evernote


O Evernote foi fundado por Phil Libin, com objetivo de se tornar o cérebro eletrônico das pessoas, para que você registre em um sistema, tudo que você não tem capacidade física de se lembrar. Por entendermos nossa limitação física, costumamos não pensar em lembrar de diversas informações, mas se você tirar por alguns momentos essa mascara e analisar sob a ótica de que você poderia lembrar de tudo que quisesse na sua vida, talvez faça algum sentido, por exemplo:

  • Todos os rótulos de vinho que já tomou
  • Todos os restaurantes que foi
  • Todas as contas que pagou
  • Todos os cartões de visita que recebeu
  • Todos os PDFs que lhe interessaram
  • Todos os artigos que gostou

É até injusto tentar listar que tipo de assunto pode-se registrar no Evernote, é infinito.

Por mais inteligente e brilhante que você seja, não conseguirá lembrar de tudo que quiser. O propósito do computador como um todo, é nos transformar em ciborgues, aumentar nossa capacidade física, seja através de um smart phone em suas mãos, um ipad, ou um computador. Ou seja, ha tempos que muitas empresas vem tentando resolver o problema da memória humana, mas o Evernote se destacou pela forma que resolveu este problema. Não é a toa que hoje é considerada uma das empresas web 2.0 de maior admiração e destaque.

Desde o começo o Evernote teve este objetivo e foi muito bem sucedido, os usuários sempre agradeciam e davam parabéns. Os números também mostravam isso, cada vez mais usuários se cadastrando e utilizando. Mas mesmo assim, teve um tropeço quase fatal. Eles estavam com um mês de caixa contado, mas felizmente estavam em uma fase final de aquisição de uma rodada de U$10 milhões de capital de risco. No dia que o dinheiro deveria entrar no caixa, Phil recebe uma ligação dizendo que infelizmente o dinheiro não seria mais liberado. Neste momento o mundo caiu na cabeça de Libin, após muito pensar e sem saídas, resolveu assumir a derrota, decidiu que iria dormir e no dia seguinte iria trabalhar para fechar a empresa, avisaria a todos, pagaria salários e contas pendentes e partiria para outra.

Por volta de três horas da manhã, pouco antes de dormir, Phil recebe um email de um usuário da Suíça, contando que era um usuário muito feliz do Evernote, que ama o serviço e deseja muito sucesso para eles. No final do email ele pergunta:

“Vocês estão precisando de dinheiro?”

Parecia um milagre, imediatamente Phil responde o email e assim sucede uma rápida troca de emails, dez minutos depois eles estavam conversando no Skype. U$500.000,00 entram na conta da Evernote duas semanas depois e este usuário foi a salvação da empresa.

O Evernote foi um dos precursores do modelo freemium, seu plano inicial é totalmente gratuito, para maioria das pessoas sempre serviu e nunca chegou nem próximo de atingir os limites, além disso ele é tão bom com o recursos gratuitos que a maioria das pessoas nem pensa em fazer o upgrade.

Existe uma serie de vantagens em se fazer o upgrade para a versão premium, você tem mais capacidade de upload, mais tipos de arquivos são suportados, mais segurança, controle de versões, etc. Tudo isso ao custo de $5 por mês ou $45 por ano.

Como eu nunca tive qualquer necessidade de fazer o upgrade para a versão premium, sempre me pareceu que eles haviam fatiado de forma errada o que deveria ser gratuito e o que deveria ser pago, afinal o interesse da empresa é que em algum momento, de preferencia o mais rápido possível, que o usuário comece a pagar. Engano meu, depois de estudar melhor o case Evernote, a ficha caiu.

Atualmente 18 mil novos usuários se cadastram todos os dias, a média total é que somente 3% dos usuários estão na versão premium. No mês de cadastro, somente meio porcento vai para versão premium. Se analisarmos pensando em curto prazo, o serviço estaria fadado ao fracasso, os números são tristes. Como sustentar tantos usuários gratuitos, para tão poucos interessados num serviço pago?

Mas analisarmos o médio/longo prazo, tudo muda. A principal preocupação deles é criar um produto exemplar. Consultam os clientes frequentemente para entender exatamente o que eles querem, gostam e deixam de gostar. O resultado é que as pessoas acabam se apaixonando pelo Evernote, eventualmente, muitas vezes sem nem precisar, os clientes migram para a versão premium.

Existem alguns recursos que justificariam a migração para o plano premium, em diversas entrevistas que a Evernote fez para entender o seguinte:

“Porque nossos clientes compram a versão premium?”

Muitos clientes até respondem o recurso A, ou B. Mas a grande maioria dos clientes respondem que pagam a versão premium porque adoram o produto. Parece ridículo, mas é a mais pura verdade.

Estamos saindo do samba de uma nota só onde todo mundo quer tudo de graça. Onde as pessoas exigiam, como se tivessem o direito de usar um determinado serviço de graça. Os clientes agora entendem, que o serviço é gratuito, mas para tudo aquilo acontecer tem um preço. Com isso em mente, muitos clientes pagam, para garantir que a empresa continue viva, para garantir que a empresa continue desenvolvendo novos recursos e continue tendo sucesso.

Por isso, se você gosta de um serviço ou software, pense se vale a pena usar a versão pirata, muitas vezes você esta contribuindo para matar algo que te salva a pele todos os dias, e muitas vezes tem o preço justo.

Não adianta querer colocar a carroça na frente dos bois, a sua empresa pode ter um comportamento similar a do Evernote, onde no curto prazo o cenário é uma tristeza e no médio/longo prazo tudo é uma maravilha. Talvez o segredo seja fazer como eles, não ter pressa para ganhar dinheiro, focar na qualidade do produto e na felicidade dos clientes.

Este artigo foi originalmente escrito para minha coluna no IT WEB.

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  • Como usuário uso o Evernote há algum tempo e já fui conferir se teria mais vantagens com a versão paga, pra saber das vantagens e tanto pelo preço e pelo que o produto oferece pagaria na boa.

    A questão é, será que essa realidade é igual para qualquer público-alvo? Qualquer país?
    Duvido muito que a % de compra de produtos de um farmiville no Brasil seja igual nos EUA, não pelo preços praticados, mas simplesmente por cultura.

    Acredito também que o público-alvo do produto seja também muito importante, no caso do Evernote o público-alvo é mais seletivo, afinal quem quer sincronizar as anotações/fotos/arquivos etc com seu iPhone, BlackBerry ( ou outro mobile compatível) não seria o mesmo público-alvo de um jogo online por exemplo.

  • Marcelo,

    Legal o post.
    Eu acho muito bom, mas ainda uso a versão free.
    E acho que não vou mudar, porque meu uso é pequeno, chego a uns 10% do limite mensal.
    Mas acho que faz sentido essa colocação do porque as pessoas pagam. Talvez no Brasil isso funcione menos, mas faz sentido mesmo.

    Abração, Miguel

    • Eu tenho cadastrado muitas outras coisas que não costumava cadastrar, mas também nunca passei do limite mensal. Talvez o dia que isso comece a acontecer, eu comece a pensar em migrar, mas por enquanto, também não tenho interesse.

      Eu tenho pago muitos softwares, mas somente aqueles que eu gosto muito e tem preço justo. Mas para um país em desenvolvimento como o Brasil, acho que deve ser comum a maioria das pessoas não se preocuparem com isso.

  • Pingback: Tweets that mention O case Evernote | Marcelo Toledo -- Topsy.com()

  • A resposta é PREÇO JUSTO! Outro exemplo é o Flickr, apesar de seus serviços grátis serem menores se comparado ao Evernote, o usuário normalmente expande sua conta para PRO, simplesmente pelo “custo X benefício”.

    Esse tipo de serviço, que não tem um público muito pequeno, que tem certo poder de se massificar, pode optar por ganhar no volume.

    Garanto que quando surgir a oportunidade de oferecer algo muito exclusivo e relevante dentro da conta paga, o Evernote vai fazer. E com essa cultura qualidade pode crer que novos usuário terão o prazer de pagar.

  • Paulo Spadano

    Ola Marcelo, muito bom seu Blog, queria sua ajuda.
    Eu uso a versão FREE do EVERNOTE e não encontrei de forma alguma um agendador de tarefas onde eu possa incluir um compromisso e eu sendo avisado do compromisso. Eu crio a nota mas não encontrei esta opção. Seria so na versão FULL?
    Se puder me ajudar, agradeceria demais,
    abs

  • Juliano Primavesi

    A versao premium é muito boa para usar um metodo GTD com mais recursos.

  • Pedro Góes

    Esta visão do modelo freemium é muito bem disseminada nos Estados Unidos, o que, por popularidade, acaba sendo um modelo que muitos acreditam funcionar no Brasil também.

    Ledo engano, visto que existem pouquíssima (ou nenhuma?) startup brasileira que conseguiu provar tal case em nosso país. Pode até ser que os americanos e europeus paguem para utilizar produtos que amam, mas é algo que não tem ocorrido com brasileiros.