Empreendedorismo

Startups: Por que a maioria das startups falham?


O empreendedor está a todo tempo buscando melhorar e crescer. Quando é empregado de uma empresa, ou está sonhando em como subir na hierarquia e assumir mais responsabilidades, ou está quebrando a cabeça para criar um produto inovador. Quando surge uma boa ideia, não tem quem segure, automaticamente se torna um sonho que agarra com unhas e dentes para transformar em realidade. É asssim que nasce a maioria das startups.

No mundo da tecnologia, criar uma empresa parece relativamente fácil, principalmente para quem é programador e passa o dia inteiro produzindo códigos, que no fim das contas, são micro-produtos e as vezes até produtos completos. Na visão de muitos programadores, para criar uma empresa basta ter um bom produto, e para este produto nascer, não precisa de muito dinheiro, basta sentar na cadeira e programar.

Na prática, as coisas não são tão simples assim. No berço mundial das startups, o Silicon Valley, milhares de startups nascem todos os anos, mas boa parte delas não chega a completar o primeiro ano de vida.

A maioria dessas startups que falham utilizam o modelo de desenvolvimento de produtos (Product Development Model) para o desenvolvimento da sua startup, para resumir em dois passos, seria o seguinte:

Passo um – Crie o produto: Normalmente o produto é desenvolvido de forma totalmente isolada, sem qualquer contato com o possível cliente. Investe-se tempo e dinheiro sem ter a certeza de que existe alguém interessado em utilizar este produto, pagar pelo produto e se este processo de venda pode ser repetível e escalável.

Passo dois – Vá ao mercado vender: Neste fase tem-se um produto pronto e muitas vezes ele é excelente. Acontece que na hora de vender, muitas vezes os resultados são bem diferentes do esperado. Poucas pessoas ou ninguém quer utilizar o produto, preço alto ou baixo demais e quantidade vendas bem abaixo do esperado. Como já foi investido muito dinheiro, tentam remediar e fazer transformações para ter os resultados esperados, no fim das contas, quase sempre o resultado é o mesmo, a empresa morre.

O maior problema das startups está na sua fundação, que é exatamente este modelo, que não é bom e da muitas margens para o insucesso. A boa notícia é que atualmente nós temos recursos importantes disponíveis, que auxiliam o empreendedor a aumentar significativamente as chances de sua startup dar certo.

Um dos mais antigos empreendedores do Silicon Valley, Steven Gary Blank, vivenciando e assistindo de camarote todos esses problemas, se perguntou:

Seria possível evitar esses problemas e criar uma alternativa mais eficiente?

Uma lição das startups de sucesso

Steve Blank então iniciou um processo de profundas pesquisas e estudos, para tentar entender se existia um padrão entre as startups que tinham sucesso e as startups que falhavam. O resultado de tudo isso foi documentado em seu famoso livro The Four Steps to the Epiphany, onde ele dá um passo-a-passo para qualquer empreendedor que deseja abrir uma startup.

Eu não quero ser injusto em dizer erroneamente, onde e por quem que este movimento iniciou, mas o fato é, Geoffrey Moore influenciou fortemente Steve Blank a produzir sua obra prima, na sequência vieram pessoas muito importantes, a principal delas eu diria que é Eric Ries, criador do movimento Lean Startup.

Este movimento acabou tomando proporções gigantescas, teve uma adesão praticamente unanime de empreendedores e investidores. Por outro lado, existem diversas outras pessoas que contribuíram muito com conhecimentos e lições aprendidas, que você deve conhecer e acompanhar, pois complementam diretamente os autores acima.

Uma lista INcompleta de autores e pessoas que contribuíram de forma significativa são:

Alex Osterwalder, Yves Pigneur, Marc Andreessen, Hiten Shah, David Heinemeier Hansson, Jason Fried, Sean Ellis, Dave McClure, Nivi, Naval, Mark Suster, Jason Calacanis, Paul Graham, Fred Wilson, Dharmesh Shah, Ash Maurya e muitos outros.

Os que eu esqueci, por favor coloquem nos comentários.

Este movimento e todas essas pessoas, estão mudando a forma como se cria e desenvolve empresas. São técnicas que servem para qualquer área, podem e devem ser utilizadas por qualquer empreendedor que esteja pensando em abrir uma startup ou criar um novo produto. Aplicando as receitas corretamente, você estará automaticamente aumentando suas chances de sucesso.

Em posts futuros, falarei sobre como aplicar essas técnicas na sua startup.

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  • Realmente está correto, e eu mesmo uso o Product Development Model, porém, qual seria a alternativa, ou o modelo usado por startups que dão certo?

    • Felipe,

      A principal alternativa, criada por Steve Blank e documentada no livro que eu mencionei no texto, chama-se Customer Development.

      Existe também o Lean Startup, criado por Eric Ries.

      As outras pessoas de alguma outra forma contribuíram para isso, por exemplo o Dave McClure com o AARRR, o Ash Maurya com o Running Lean e assim por diante.

      Assine para receber os posts, pois falarei sobre isso nos próximos artigos.

      um abraço!

      • Já assinei Marcelo! Sou novo nesse “mundo” e aos poucos vou me inteirando melhor dos termos usados. Gostaria, caso tu tenhas, indicações de livros (preferencialmente em Português), que tratem do assunto.

        Abração

  • Como sempre maravilhoso seu post!Já “Twittei, Facebookei e Buzzei” – falta vc anexar link para Orkut…para eu terminar de enviar para alunos e amigos!!Beijo grande e parabéns!Malu

  • Eu nao conhecia nenhum destes termos quando começei a empresa, mais eu e meu socio tivemos um ideia de como moldar o produto no cliente.

    Fizemos o seguinte, vendemos um piloto, na verdade uma tela de login alegando ser um sistema, tivemos sorte em fechar o primeiro cliente ( uma micro empresa ), que usamos como laboratorio, a partir de entao começei a me dedicar ao desenvolvimento do produto ja validando diretamente no cliente ( usabilidade, banco de dados, servidor, interface e periféricos que existiam na empresa ) e ao mesmo tempo meu socio começou a frequentar lugares e a mostrar nosso produto a outros empreendedores, neste ponto já tinha algo a mais do que uma simples tela de login, assim fomos moldando o software pouco a pouco utilizando o proprio campo que iriamos vender ele. Neste ponto um mentor foi crucial, pois ele possuia muita experiencia em software de gestão e acabou nos poupando de diversos erros e possiveis problemas.

    Ate agora obtivemos sucesso, o produto ainda não esta completo mas ja temos uma grande agenda de clientes em potencial e alguns clientes beta rodando o software, assim conseguimos validar diversas informacoes, alem de adquirir a experiencia da implantação, negociação e levantamentos dos requisitos do software junto ao cliente.

    Ate agora todos os clientes se sentem muito satisfeito com o software, isso ja valida a nossa ideia, e outros diversos aguardam alguns modulos que ainda não estão prontos para implementação em seus negocios. O legal também deste modelo q adotamos é que os clientes beta sempre estaram 1 passo atras dos outros, assim quando formos re-negociar contratos, atualizações e etc, vamos pegar a experiencia em clientes menores e assim ter um melhor feedback em clientes maiores e mais relevantes.

    Este modelo seria o customer development?

    Abraços Marcelo!