1 podcast, 6 meses, 20mil ouvintes

Muito depois de ter entrado na era da música digital, acabei comprando meu primeiro iPod, o que me fez um dia conhecer os famosos podcasts. Aqueles programas que são gravados e disponibilizados na internet para as pessoas ouvirem quando e onde preferirem.

Eu escutava podcasts antes de dormir, em viagens e principalmente em aviões, onde você tem alguns centímetros quadrados para não enlouquecer até chegar ao destino, então uma boa lista de podcasts era diversão garantida.

Eu escutava muitos podcasts de tecnologia, tanto nacionais, quanto internacionais. Foi então que a ideia de criar um podcast foi amadurecendo. Um dos maiores fatores que me bloqueava de fazer um era a privacidade, mas acabei resolvendo isso de um jeito fácil.

Dividi a culpa! Convidei pessoas bastante estratégicas para fazer comigo. Chamei o Rodrigo Stulzer, co-fundador da Conectiva e amante de tecnologia. E uma alma feminina, Françoize Terzian, uma bem sucedida jornalista de tecnologia e negócios. Fiz o convite, todos gostaram e a partir dali tudo começou.

Inventei um nome que fosse fácil de lembrar, o domínio http://ticktack.com.br estava livre, e aí nasceu o TickTack. Preparei um blog e criei um logo, que ficou horrível por sinal, arrumei um template para a cara do site e deixei tudo pronto para quando tivéssemos o programa gravado. Criamos um Twitter e finalmente agendamos a gravação do nosso primeiro episódio.

Ao longo de uma semana definimos a pauta, fomos bastante detalhistas definindo o que cada um falaria, em qual ordem, por quanto tempo, etc. Haja organização, mas com o tempo tudo mudou, o que deixou o programa muito melhor, sinal de que estávamos bem entrosados.

Tive um trabalhão enorme para aprender como tudo funcionava, qual o melhor microfone, fone, quais programas utilizar, como ter uma boa qualidade de som, enfim. Aprendi o suficiente para fazer o primeiro programa se tornar realidade e assim foi. Um resultado lastimável!

Qualidade de audio terrível, um era mais alto que o outro, eco, ambientação, tudo de horrível aconteceu. A parte de edição dessa primeira vez levou aproximadamente duas horas, como deu trabalho! Era muito mais fácil todo mundo falar certinho, assim não precisaria editar tanto, mas isso estava longe da realidade.

Depois de toda gravação e edição, tinha o texto para publicar no blog, tínhamos que lembrar dos links e fotografias mencionados no programa, além disso criamos uma metodologia que informava para o leitor em qual momento falamos de qual assunto, assim o ouvinte poderia avançar diretamente para o recheio do bolo.

Finalmente o primeiro episódio foi ao ar. Nem me recordo como foi que divulgamos, mas sei que ganhamos alguns ouvintes, alguns vários comentários de incentivo e um enorme, gigantesco comentário extremamente crítico e agressivo. Foi uma verdadeira bomba. Nos primeiros segundos tivemos vontade de tirar tudo do ar, mas tinham outras pessoas que haviam adorado o programa, isso nos deu uma força bastante grande para ignorar o comentário e ir em frente.

O programa era quinzenal, falávamos as principais notícias do momento e em seguida entravamos em um tema principal. No primeiro episódio falamos basicamente das notícias e o iPhone 3G.

Já no segundo episódio, como eu estava em Vancouver, no Canadá, resolvemos não deixar de fazer o programa e gravei por lá mesmo, com microfone novo, foi ótimo! Falamos sobre Wi-Fi, WiMAX e 3G, foi covardia com o Rodrigo e a Fran, pois eu já sabia tudo de cor.

Desde o começo eu sempre tive vontade de chamar pessoas para nós conversarmos e entrevistarmos, como eu sou amigo do Aurélio Marinho Jargas (www.aurelio.net) e o Rodrigo é praticamente um pai para o menino, pedi que ele o convidasse para participar do nosso terceiro programa, falar sobre o Aurélio, e como ganhar dinheiro na internet. Ele topou e foi a grande sacada do podcast, a partir deste programa começamos a crescer de forma meteórica.

O programa foi um verdadeiro sucesso, éramos praticamente desconhecidos e com a força que o Aurélio tinha, pegamos um embalo e ganhamos uma penca de visitantes.
O episódio cinco foi outra grande oportunidade, foi um momento pós iPhone, onde estavam todos ouvindo muito sobre Android, porém vendo muito pouco. Foi na época que o Google lançou um concurso mundial, onde os três melhores aplicativos para Android receberiam uma série de incentivos além de um prêmio em dinheiro.

E não é que do mundo inteiro saiu um Brasileiro ganhador? Logo um grande amigo, não deu outra, convidei, ele aceitou e assim nasceu o programa, entrevista com o Brasileiro que ganhou o concurso do Google, outro sucesso de bilheterias.

Depois no episódio 7, entrevistamos o Augusto Campos, fundador de dois dos maiores blogs do país, o br-linux.org e o efetividade.net, esse programa também foi muito divulgado e ouvido. Nos aprofundamos na mágica de criar blogs de tanto sucesso e como seria possível ganhar dinheiro com isso. Segundo Augusto, ele ganha mais dinheiro com os blogs do que com o seu emprego atual.

Quando iniciei minha carreira eu era uma grande admirador da Conectiva, tentei trabalhar algumas vezes lá, mas nunca deu certo. Um dia questionei o Stulzer porque ele nunca havia escrito um livro sobre a Conectiva. Além de escrever muito bem, tem um senso crítico muito apurado, tenho certeza que ninguém melhor do que ele para fazer este trabalho. Até hoje ele não escreveu este bendito livro, mas a minha curiosidade eu matei em uma entrevista no podcast, e foi este o best seller dos nossos episódios.

Essa entrevista foi tão boa, que durou uma hora e meia e acabou gerando dois episódios. Postamos o primeiro imediatamente, e em mais quinze dias lançamos a parte dois, e novamente o site explodiu de acessos.

Neste momento, o TickTack tinha aproximadamente seis meses de vida e já tinha um sucesso brutal, diversas pessoas conheciam, já tinhamos fãs e ouvintes de carteirinha que sempre estavam ali. Cada vez mais o conteúdo e a qualidade do programa melhorava.

Depois do nosso episódio killer, começamos a perder alguns prazos, eu comecei a ficar preocupado com o tempo que estava investindo, a Fran oficialmente pediu para sair, o Stulzer estava disposto a continuar, mas eu desisti e definitivamente o TickTack hibernou.

Foi uma lição para todos nós. Quem diria que iniciaríamos um podcast e depois de seis meses, com 13 programas gravados, eles teriam sido ouvidos mais de 20mil vezes! Tínhamos a ambição de transformar o TickTack em um projeto rentável, mas nunca aconteceu.

Mas recentemente tudo mudou quando eu li um livro, indicado pelo meu amigo Miguel Cavalcanti, Crush It!, do Gary Vaynerchuk, que transformou um negócio de vinhos de 4 milhões de dólares, em um negócio de 50 milhões de dólares em cinco anos, graças ao seu talento, mas também ao uso de ferramentas como blog, vídeo, twitter e facebook.

É exatamente por isso que eu estou retomando o TickTack, em vídeo ao invés de áudio, no mesmo formato que o podcast e mantendo os convidados. Já temos o domínio, câmera, tripés, iluminação, estúdio e etc, falta terminar o site, concluir a vinheta e estaremos prontos!

Você leitor, tem alguma sugestão de convidado interessante, que esteja relacionado com internet, tecnologia ou negócios?